terça-feira, 30 de março de 2010

Livro do Mês - Março

Escrito por Maria Teresa Maia Gonzalez, este livro conta a história de uma adolescente chamada Joana que perdeu a sua melhor amiga, Marta, morta por overdose.
Este livro assume a tipologia de um diário, uma vez que é composto por cartas que Joana escreve a uma amiga que já morreu. Conta-lhe todos os acontecimentos do seu dia-a-dia. No meio do quarto de Joana há uma lua, suspensa do tecto por uma corrente, um baloiço imaginado e construído só para ela. Quando quer pensar, Joana coloca o baloiço em posição de quarto crescente e, quando está triste, roda-o para a posição de quarto minguante, ali se sentando até que a tristeza lhe passe...
Joana é uma excelente aluna, reconhecida por todos e acarinhada pelos professores e amigos, mas sente imenso a falta da sua melhor amiga. No decorrer desta história, Joana tenta agir com normalidade, apoiando-se na sua avó Ju, que passa a ser a sua única conselheira. Com a morte da sua avó, Joana acaba por querer experimentar a droga, que lhe roubou a sua melhor amiga e... morre também!
Este livro age não só como alerta ao jovem leitor, mas também aos pais desatentos, como os de Joana, que por pensarem que a filha é uma jovem responsável, tratam-na como uma pessoa adulta, pensando que não necessitam de preocupar-se muito com ela e que podem concentrar-se na sua própria vida: o pai, médico prestigiado, passa a maior parte do tempo fora de casa, desvinculado da família, estando raramente em casa; a mãe, dona de um pronto-a-vestir, vive procupadíssima apenas com o "Pré-histórico", o irmão de Joana que não se veste como um jovem da sua idade e tem sempre o quarto em estado caótico...
Este livro mostra-nos uma realidade dos dias de hoje, a droga, e o grande flagelo que esta constitui para todos: os que a ela sucumbem e os que por ela são tocados, incluindo todas as pessoas circundantes...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Livro do Mês - Fevereiro

Morta no campo de concentração de Bergen - Belsen em 1945, Anne Frank é uma das figuras trágicas do séc. XX. O seu diário, publicado em 1947 e traduzido em mais de 60 línguas, converteu-se num dos livros mais lidos do planeta e continua, actualmente, a ser procurado por crianças e adultos em todo o mundo. Em «Mouschi, o gato de Anne Frank», José Jorge Letria presta a sua homenagem a esta adolescente que queria ser jornalista e escritora, recontando a sua história através de Mouschi, o gato que viveu com ela no anexo de Amsterdão, onde esteve escondida com a família entre 1942 e 1944. Pela mão do escritor, Anne Frank revive, desta forma, no relato imaginário, mas rigorosamente factual, de um gato que ganhou o direito de se converter em personagem literária, daquelas que vêm para ficar.
«Se eu soubesse chorar, mesmo transformado em personagem deste livrinho de memórias, teria sempre duas lágrimas guardadas: uma para Anne e outra para o meu amor por ela. Quem matou esta menina merece ser castigado eternamente por todas as estrelas que há no céu» (pp.44). Este é o último desabafo de Mouschi, o gato de Anne Frank, a menina que representará sempre aqueles que, de modo trágico e cruel, perderam as suas vidas durante o holocausto nazi.